Tokyo Babylon: os caminhos da humanidade

Já havia postado sobre Tokyo Babylon, mas devido à grandiosidade desta série, achei importante falar mais uma vez sobre esta série da CLAMP, que merece ser lida, e a partir disso, refletir mais sobre os rumos que a humanidade vem tomando. Mas dessa vez, não será apenas uma simples explicação sobre a obra, mas sim, uma reflexão sobre o que ela diz.

A série possui 7 edições, e teve publicação original de 1991 à 1993. Ganhou uma edição especial, com 5 volumes, uma série de 2 OVAs (que não tem quase nada a ver com a série original), Artbooks, OSTs, entre muitos outros produtos. É interligada à série X 1999. Bom, agora tratemos da série.

Subaru é o 13° chefe da família de onmyojis (espécie de mago, exorcista japonês) Sumeragi. O rapaz tem uma irmã gêmea, Hokuto. Desde muito jovens tinham de treinar arduamente para aprimorarem as técnicas de família, tornando -os de certa forma solitários. Subaru tem de usar um par de luvas, que não podem ser tiradas em hipóteses alguma, segundo as ordens de sua avó. Os irmãos conhecem Seishiro, um dócil veterinário, que se torna um grande amigo, embora notemos um certo envolvimento a mais entre Seishiro e Subaru. Subaru tem de resolver vários casos sobrenaturais, e é aqui que podemos começar a analisar e refletir sobre a série.

“Porque é a única metrópole do planeta, que se diverte em quanto caminha para a auto-destruição… “

A proposta principal do mangá é comparar a cidade de Tóquio,    aparentemente próspera e hospitaleira, com a Babilônia, “a cidade arrasada pela ira de Deus”. Mas também podemos comparar a Babilônia com qualquer outra grande metrópole, como São Paulo, Nova York, entre outras, que por mais fantásticas, cheias de oportunidades e sonhos que pareçam ser, se mostram muito diferentes quando vistas de perto.Muitas pessoas acabam se apegando muito às aparências, se esquecendo do conteúdo, se frustrando depois. Acabam confiando tudo o que têm em busca de seus sonhos, sem ao menos ter o mínimo de precaução. Embora a série possua um olhar um tanto catastrofista, em essência suas análises são as mais verdadeiras possíveis.

“Por que não posso morar no sonho?”.

Como dito, Tokyo Babylon mostra , basicamente, Subaru resolvendo e se envolvendo em vários casos sobrenaturais, que são motivados por suicídio, inveja, solidão, ganância, fanatismo, abusos, entre outros. Por exemplo, no capítulo “O Sonho”, uma garota acaba adormecendo e não mais acordando. Subaru consegue “entrar” no sonho da garota, e descobre que ela era uma antiga colega de escola, que o amava, tanto que Subaru se vê criança na mente da garota,que desejava muito ele alí com ela. Ele tenta convencê-la a acordar, mas ela não quer, já que segundo ela “o sonho é tão maravilhoso, é muito mais bonito que o mundo la fora”. Depois descobrimos que a garota sofreu um abuso sexual de rapazes do condomínio, o que a causou grande trauma, a deixando extremamente envergonhada, com medo das fofocas, da vergonha que a mãe passaria, pois os garotos não se importam com o que uma garota nesta situação se sentiria, dizem ser apenas uma diversão, e não tem ideia de como um ato destes pode ferir alguém.Ai chegamos no seguinte ponto: “Será que o ser humano tem o direito de destruir a felicidade do outro? O direito de estragar o futuro do outro?”.

“Se eu morrer em Tóquio, ninguém chorará por mim”

Outra história muito comovente é o apêndice “Sorria”, o qual Hokuto conhece uma jovem denominada como gaijin (estrangeira, mas de forma pejorativa). Ela estava sendo importunada por alguns homens, e Hokuto a ajuda. A jovem , ainda assustada, não entende o porquê de Hokuto ajudá-la, já que ela era apenas uma gaijin. Hokuto diz que não se deve chamar alguém desta forma, já que tem a conotação de “sem pátria”, e todos possuem seu povo, sua pátria. Então a garota conta que ela veio de um país distante, para trabalhar em Tóquio e ajudar sua família, só que ela se encontrava em situação ilegal no país, estando assim sempre fugindo a polícia. Ela diz que seu trabalho é difícil, mas que consegue ajudar a família, mas ainda assim, há duas coisas que ela possuia em seu país de origem,por mais pobre que fosse, e que perdera em Tóquio: amigos .“Se eu morrer em Tóquio, ninguém chorará por mim”. E a outra era sorriso. “Aqui ninguém nota o meu sorriso, ninguém fica feliz me vendo sorrir. Aqui meu sorriso não vale nada”.

“O ser humano sempre trairá um ao outro. Esta história sempre se repetirá em Tóquio.”

Esta frase define o clímax da série, no capítulo “O Final”, o qual não falarei sobre, para não revelar grandes surpresas da história.

Conclusões finais

Bom, Tóquio Babylon é uma das séries que mais me chamou a atenção. Não só pelo carisma das personagens, ou pleo traço, mas exatamente por essa profundidade e reflexão que a obra acaba por promover em quem a lê. Há muitos outros casos, situações e dramas que, por mais absurdos que possam aparecer de primeira, estão cada vez mais próximos e acontecendo com mais frequência. Prova disso é ler um jornal, e vermos o tanto de crimes e mortes que vem ocorrendo, as injustiças, as frustrações…

Algo que também podemos pensar é que, por mais que alguém se disponha a entender o problema de outro, esta pessoa não conseguirá de verdade, pois só quem sofre algo entende a dor que realmente sente.Por mais incabível que seja pensar nisso, por exemplo,uma vitima jamas entenderá o culpado e este dificilmente entenderá a vítima.

E para terminar este post, usarei uma das frases que mais me chamou a atenção na série:

“Talvez as pessoas que façam coisas ruins, sejam todas solitárias”.

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Publicado em 29 de dezembro de 2011, em Mangás e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Léon, que post fantástico esse, de verdade! Ficou lindo, lindo <3.
    Nunca li Tokyo Babylon, mas deu muita vontade de ler agora *-*. Acho que uma das coisas mais legais que se pode achar em uma série é isso: essa oportunidade de reflexão; 'algo' realmente pra mostrar além dos diálogos e dos desenhos e que nos faça… sei lá, pensar -q

    Vou ler com certeza. *-*

  2. Querido, gostei do texto! Flui de uma maneira interessante e ainda que eu, assim como a Pri, não tenha muito interesse por essa linha nem tenha conhecimento p/ falar, o que escreveu aguça mesmo a curiosidade do leitor, assim como a sua própria reflexão a paritr de suas palavras! Bj :)

  3. Aaah eu ADOREI o post. Realmente, esse mangá nos traz um momento de reflexão. E vc os citou mto bem. Amei!
    Continue assim!
    Bjoos

  4. Li o 1º volume desse mangá há alguns anos e não gostei /MORRE. Mas tu escreveu de um jeito que faz a série parecer legal. Talvez seja melhor dar uma segunda chance pra série /ornot. CONTINUE POSTANDO SEUS LIMDOS.

  5. Que série deprê! Mas eu realmente achei o post muito bom, Leozíneo. Você, com o passar do tempo, aperfeiçoou sua escrita no blog e me orgulho disso, nhoin. Você sabe que não sou fã de cultura nipônica, mas ler o Nipop é uma boa opção sempre, mesmo assim.

    Parabéns pelo blog e que você, a Kinds e a Vicky fiquem RYCOS graças a ele em 2012. Mabrouk!

  6. Poxa, que série mágica! Gostei da referência à Babilônia, deixou um gostinho de quero mais. Parece totalmente envolvida em tramas filosóficas e o aparente aspecto pessimista dá um toque especial de curiosidade. Parabéns pelo post, procurarei por ela!

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